FAUTH
Revista Literária Digital
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RESENHA


11 - outubro - 2001:
Louco no oco sem beiras - anatomia da depressão
Autor: Frederico Barbosa
Editora: Ateliê Editorial

Por Rodrigo de Souza Leão (*)

Chega-me um embrulho pesado. Um livro pesado. Mas ao lê-lo de cabo a rabo o peso é substituído pela densidade. É um livro denso. É um livro de poesia denso. O poeta se expõe tirando as vísceras da poesia, alçando um vôo em cada poema. Um vôo deprimido como são os nossos dias, as nossas horas, os nossos minutos. Toda a sensibilidade de Frederico Barbosa a disposição de não banalizar um tema tão serio como a depressão. Algo que destrói boa parte da humanidade que de certa forma foi a criadora do que aqui esta. "LOUCO NO OCO SEM BEIRAS - Anatomia da Depressão" é uma viagem para dentro do ser humano que sofre, para dentro do que há de mais angustiante no cotidiano. O poema diz: “simulacro/sem paz/ nesse buraco”. É estamos sem nada. Sem paz. Sem saída. Sem movimento literário. Só nos resta o buraco.

CRISE
GRAVE
CRASE
GRAVE

Mas sempre estivemos assim. As botas sempre apertaram os pés dos pracinhas. Santos Dummont chorou e se matou ao ver que bombas iriam bombardear Santos. Vivemos em guerra. E as saídas são sempre as dos fundos. As mais simples e paliativas para que tudo continue nojento como sempre. Para que tenhamos que passar dez horas num trabalho e um dia um filho perguntar aonde é que moramos. Se for hora de mudar e se quem sabe faz a hora, rever os paradigmas que levam o ser humano à depressão, ao desprezo ao próximo e ao niilismo repulsivo bem que poderia nortear as novas gerações. O livro de Frederico Barbosa, apesar de expor a sua depressão, é muito feliz quando contextualiza as situações no seu pânico frontal na sala de aula. Nos gritos mancos no corredor. No procurar no vão do sono o sono insone.

OCO NO COCO DAS BEIRAS é pura nitroglicerina na pseudopoesia inteligente feita por dois superdoutorados em insuficiência do que dizer. Eu também só me quebro na parede por querer. Eu só pago por dizer o que quero e quero receber esta multa e este soco e este impacto. Poesia é tudo. Ë depressão. É metáfora. Ë linguagem conotativa. É polifonia. É sofrimento. Quem nunca sofreu que atire o primeiro poema de amor. Quem nunca sofreu que escreva sobre os anjos e os cordeiros de Deus que tiram o pecado do mundo. Que me tirem este pecado. Para onde ir? Em tempos de crise, para onde não ir primeiro: para o hospício e para a guerra. Ir para a leitura e para a educação que certamente não está nos olhares perdidos das crianças do Afeganistão.


(*) Rodrigo de Souza Leão - Poeta e Jornalista 
 E-mail: seomario@centroin.com.br


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