Louco no Oco sem Beiras – Anatomia da Depressão é
o quarto volume de poesia lançado por Frederico Barbosa (Recife,
1961). Seu primeiro livro, Rarefato (Iluminuras, 1990) foi escolhido
pelos jornais O Estado de S. Paulo e O Estado de Minas como
um dos melhores livros do ano. O segundo, Nada Feito Nada (Perspectiva,
1993), integrou a prestigiosa Coleção Signos, dirigida
por Haroldo de Campos, e ganhou o Prêmio Jabuti, da Câmara
Brasileira do Livro.
O crítico Antonio
Candido apresenta Contracorrente (Iluminuras, 2000) afirmando
que “este terceiro livro mostra que o lugar de Frederico Barbosa é
entre os verdadeiros poetas da sua geração”, pois “aqui
o poeta parece estar além da pura experiência e plenamente
integrado na sua personalidade poética. Simplificando, é
possível dizer que passou do bom ao melhor.”
Considerado por Haroldo
de Campos“dos mais expressivos de sua geração,
pelo sentido construtivo e gume crítico de seus poemas ” e por Arnaldo Antunes, "Poeta admirável pela maneira como associa contundência e construção, que denota bastante maturidade no trato com a linguagem verbal.” –
Frederico Barbosa é, nas palavras de Manuel
da Costa Pinto, “possivelmente o poeta que mais explicitamente
assume sua dívida para com o concretismo. (...) Ao lado de Augusto
de Campos, é hoje o poeta que melhor navega pelas águas do
experimentalismo.” Já Heloísa
Buarque de Hollanda acrescenta que “tem um tipo de negociação
com o concretismo muito independente, muito interessante. Ele usa aquilo
tudo, mas interpela de um jeito diferente...”
Em Louco no Oco sem Beiras, o poeta faz uma “Anatomia da Depressão”,
em um só poema longo, que se divide em pequenas e densas cápsulas
poéticas. Nas palavras de apresentação do livro, José
De Paula Ramos Jr. afirma: “O que mais pode um poeta autêntico
senão cantar o seu tempo? E se o tempo é de depressão,
desespero e caos, o poeta procura uma harmonia possível? Não,
os poemas de Frederico Barbosa vêm desafinar o coro dos contentes
conformistas; eles falam da queda, de todas as descidas ao Inferno — as
de Odisseu, Dante, Pound e Sousândrade —, atualizadas no inconformismo
do homem contemporâneo, que, como Aquiles, aprisionado nas sombras
do Hades, não aceita o mundo morto dos mortos, e insiste em manter-se
íntegro na voragem do capitalismo.”
E completa: “A poesia de Frederico é necessária à
preservação do humanismo possível, nesse momento em
que o século XXI se inicia como uma anti-aurora crepuscular.”
Palavras que são reforçadas pelo prefácio de Amador
Ribeiro Neto: “A poesia brasileira atual precisa muito da poesia-míssil
de Frederico Barbosa – o mais significativo poeta surgido na década
passada e um dos mais expressivos dentre os maiores poetas contemporâneos
brasileiros. Isto porque Frederico Barbosa continua a perseverante e bem
sucedida trajetória de fazer poesia do não, da recusa, do
nada, da rarefação, do rigor, do conciso, do exato.
Com invenção.”